Marcelo Freixo é homem de coragem!

Marcelo Freixo é homem de coragem! É homem corajoso, porque para defender direitos humanos é preciso haver coragem. Levantar-se contra milicias é preciso ter coragem. Acreditar no ser humano é preciso ter coragem. Isso é ser cristão. Não foi isso que Jesus fez?

É muito fácil aderir ao discurso raso do “bandido bom é bandido morto” com uma população amedrontada pela criminalidade, aterrorizada pela alienante mídia sensacionalista que transforma qualquer ladrão de galinha no pior dos assassinos em série. A mídia lucra com a cultura da violência e do medo. A mídia irresponsavelmente promove a violência, a barbárie, os “justiceiros”.

É lamentável ver pessoas ditas cristãs hostilizar Marcelo Freixo por defender bandidos, ou melhor, por defender os direitos humanos, a dignidade humana. Mas, quem foi o maior defensor de bandidos senão o próprio Jesus Cristo, de acordo com o cristianismo? A função dos direitos humanos, como instituto, é proteger o ser humano da opressão dos agentes do Estado. Combater o abuso de autoridade, como os excessos praticados por policiais e garantir os direitos e a dignidade da pessoa sob o poder estatal.

A bancada evangélica se diz contra o aborto e defensora da família, mas barrou a redução da idade de consentimento para 12 anos, deixando jovens mulheres grávidas em apuros e suas famílias destruídas. Quem defende a família, deve defender todas as famílias, inclusive a da mulher de 12 anos. Sexo consentido não pode ser tratado como estupro de vulnerável. Na Bíblia, sequer existe idade de consentimento.

Sou a favor da redução da maioridade penal, e não apenas para 16, mas para 10, pelo menos. E o ECA punir não apenas os maiores de 12 anos, mas sim os maiores de 7, idade da razão. Pois acredito que adolescentes têm plena consciência dos seus atos e devem ser responsabilizados. Mesmo com esse posicionamento, sou contra a vingança e justiceiros. Apoio a ressocialização, a segunda chance e a anistia (o perdão de crimes).

Não foi isso que fez o próprio Jesus Cristo? Ser adúltera dava pena de morte em Israel, autoridades judaicas estavam lá para apedrejar aquela mulher. E o que Jesus fez? Intercedeu por ela e a sua intervenção fez aquela adúltera ter uma segunda chance. Ela foi anistiada. O que fariam os conservadores “cristãos”? “Tem que morrer mesmo!”.

Segundo a Teologia Cristã, a crucificação de Jesus não foi para perdoar os pecadores, ou seja, anistiar os criminosos perante Deus? Jesus não apenas defendeu criminosos, como morreu por eles. Deu a sua própria vida para que criminosos (pecadores) tivessem uma nova chance. E o que Jesus ensinou aos seus discípulos?

“Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.” Mateus 18:21,22

Muitos defensores do bordão “bandido bom é bandido morto“, buscam, no Antigo Testamento, o amparo para as suas posições radicais, como as rígidas leis israelitas e a clássica lei de talião (ou lei de retaliação, presente no Código de Hamurábi) do “olho por olho, dente por dente“. Cuja intenção não é a de promover a vingança, mas sim de freiá-la! Isso mesmo, de frear a vingança. Pois, na analogia, quem perdia o dente queria deixar o seu agressor banguelo. Com a lei do talião, só poderia descontar o dente perdido. Dando assim, uma proporcionalidade à vingança.

Mas, o que Jesus Cristo pensava sobre isso?

“Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” Mateus 5:38-48

Não dá para conciliar o vingancismo com o Evangelho, com os ensinamentos e o comportamento de Jesus. Ele cobra dos seus seguidores nada menos que o perfeito amor. Ódio não tem lugar num coração verdadeiramente cristão. Ódio só gera mais mais ódio, violência só gera mais violência. Quem sente prazer em acusar e condenar é o Diabo (que não coincidentemente significa “acusador” e “caluniador”).

Marcelo Freixo não é perfeito. E talvez por ingenuamente apoie o feminismo, um movimento de ódio contra o sexo masculino, que banaliza o estupro e promove divisões na sociedade, com a desculpa de defender a igualdade entre gêneros. Na teoria, o feminismo se define como movimento igualitário, mas na prática não é bem isso que acontece. A Lei Feminicídio é desigualdade. A Lei Maria da Penha ignora que homens também são vítimas de violência doméstica. Sem contar os “textões” que colocam nos homens a culpa por todas as frustrações femininas.

Esse é um problema não apenas do Freixo, mas de muitos defensores de direitos humanos, que ficam cegos diante do feminismo, como no caso do suposto estupro coletivo da garota por 30 homens. Ao que tudo indica, não houve estupro, mas suruba, não com trinta, mas com cerca de oito homens negros periféricos durante dois dias. Ninguém que é violentamente estuprada volta ao local para reclamar do celular sumido.

divulgação do vídeo deixou a garota irada e, por azar, ela foi cair nas mãos de uma advogada feminista radical (aquela que teve sua candidatura impugnada pelo PSOL e que faz parte de um movimento que considera toda relação hétero como estupro). A adolescente precisava de um conselheiro do bem e não de alguém que alimentasse sua fúria.

Os homens, que não eram 30, mas uns 8, foram condenados por estupro antes mesmo da conclusão de qualquer investigação. O delegado viu contradição no depoimento da jovem, as duas perícias realizadas (na mulher e na foto) inocentaram os acusados. Mas, feministas e a mídia já haviam condenado os caras da periferia. Afastaram o delegado, e colocaram no lugar uma delegada reaça que prendeu até um rapaz que não participou de nada, no estilo “prende e depois, quem sabe, vê se é inocente”. Uma postura policial tão criticada pela esquerda e por defensores dos direitos humanos, acaba sendo legitimada por feministas.

Marcelo Freixo tem defeitos, eu também os tenho, todo mundo tem. Não devemos cultivar o ódio, seja mascarado de defensa de valores, como os conservadores, ou de defesa das mulheres, como as feministas. Ódio é ódio, e é mau em si mesmo. E não pode haver lugar para o ódio no coração do cristão ou de qualquer pessoa civilizada.

Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;” Mateus 5:9

Marcelo Ribeiro Freixo

Marcelo Ribeiro Freixo, professor e político brasileiro filiado ao PSOL (Partido Socialismo e Liberdade).
Deputado estadual pelo Rio de Janeiro e candidato a prefeito em 2016.

Anúncios